INSTITUTO BRASILEIRO DE MUSEUS

Tainacan – Museu Casa da Hera

Coleção Museu Casa da Hera

O acervo do Museu Casa da Hera é melhor compreendido se dividido em duas categorias de maior destaque e relevância: aquela cujas peças compõem o cenário da Casa e a de Indumentária.

Ambas dão testemunho da riqueza e opulência da aristocracia cafeeira do século XIX e constituem uma importante referência histórico-cultural não só do apogeu econômico da cidade que ostentou o título de “Princesinha do Café”, mas de todo o Brasil da época.

Entre mobiliários luxuosos, porcelanas, prataria, quadros e objetos de uso pessoal e doméstico, uma biblioteca com cerca de mil volumes e três mil periódicos e o piano francês Henri Herz, do século XIX, um dos únicos exemplares em funcionamento no mundo, o acervo que compõe a Casa registra o modo de viver da abastada, engajada e vanguardista família do Dr. Joaquim José Teixeira Leite (1812/1872).

Já a coleção de indumentária assinada por mestres da alta costura internacional, como Charles Worth, é símbolo histórico não só do refinamento das mulheres da casa, como também do quanto elas tinham acesso e estavam interadas dos acontecimentos e influências de outros continentes.

Esse acervo é constituído por 44 peças, entre roupas e acessórios muito variados: são trajes para passeio, montaria, festas e roupas para dormir, além de sapatos, sombrinhas, chapéus e leques.
Essa variedade agrega valor à coleção, já que é difícil encontrar reunidas peças que cubram contextos tão diversos.

Dentre elas, 15 possuem etiquetas de grife, com peças assinadas por grandes mestres como A. Felix Breveté, Rouff, Morin & Blossier e Charles Worth, considerado o primeiro grande criador de moda e inovações como a apresentação prévia de coleções através de desfiles e a identificação de suas peças com etiquetas assinadas, introduzindo a ideia de grife. Podemos dizer que somos o segundo Museu no Mundo a possuir uma maior concentração de peças desse renomado estilista.

Além disso, os trajes em geral têm procedência francesa e datam das últimas décadas do século XIX e primeiras do século XX, um momento em que, no cenário europeu, Paris era o centro da Alta Costura e ditava os critérios de elegância.

Devido à raridade e à importância não só para o nosso país, como também para a história da moda mundial, a coleção de indumentária do Museu Casa da Hera vem ganhando destaque cada vez maior entre cursos da área e Comitês Internacionais. Além disso, visitas técnicas para conhecer especificamente a indumentária da Família Teixeira Leite têm sido agendadas anualmente.

Esse reconhecimento reforça a relevância do patrimônio e demonstra que o Museu Casa da Hera se destaca não só pela importância política e econômica da família Teixeira Leite e pela arquitetura da Casa, mas também pelo acervo singular de indumentária que compõe o cenário de riqueza e registra o modo de vida da mais alta aristocracia cafeeira do século XIX.

Pátio das Moças

Soma-se a esses acervos a vegetação exuberante da Chácara, repleta de plantas nativas da região e árvores frutíferas, tornando o passeio pela área verde um dos pontos principais da visita ao Museu. Além da agradável caminhada pelo terreno, uma das atividades mais apreciadas pelos visitantes é percorrer o extenso túnel de bambus, também chamado de “túnel do amor”. Atualmente, a caminhada ecológica pela Chácara é parte integrante do circuito de visitação ao Museu.

Túnel de Bouganville

Um jardim histórico é uma composição arquitetônica com elementos naturais, um monumento histórico e artístico, cujo material é, sobretudo, vegetal, vivo e, por isso, perecível e renovável. A área do jardim é organizada intencionalmente para o proveito, a amenização, o deleite, a educação, a recreação, o encontro e a contemplação daqueles que o frequentam. Os jardins da Casa da Hera são tombados e, por esse motivo, constituem-se como um patrimônio que deve ser valorizado, protegido e preservado.

Além do deleite, o Museu Casa da Hera é um convite e um estimulo a reflexões que nos permitam aprender com o passado de maneira a intervir positivamente no futuro, repensando papéis e modo de atuação na sociedade moderna.

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